Três Irmãs

18 e 27 de Novembro de 2016 (estreia)

Mês do Teatro de Elvas - Cineteatro Municipal de Elvas

EQUIPA

Texto Luisa Monteiro, Valério Romão e Rui Pina Coelho
Criação Cátia Terrinca e Francisco Salgado

Interpretação Cátia Terrinca
Desenho de Luz João P. Nunes

Desenho de Som Alexandre Vaz

Cenografia Suzana Alves da Silva
Apoio Jesús Manuel
Design Gráfico João P. Nunes 

Fotografias Alípio Padilha, Vitor Paiva, Mário Pires, João P. Nunes e Vitorino Coragem

Produção UMCOLETIVO

#11 Projeto UMCOLETIVO

Três Irmãs é um mónologo a três tempos.

 

Começa in media res, imediatamente a seguir a ter-se perdido o único comboio rumo a Moscovo. Aí, as Três iniciam uma viagem extática, paralela à linha de comboio:

uma jornada longa e fria corpo adentro que conduzirá a uma cidade que ninguém sabe qual nem como é. Cada uma delas é estação dessa viagem ao sonho da capital, portanto, cada uma delas, é um ato distinto: Irina – Macha – Olga. Uma Matrioska.

Primeiro, a Irina diz “vamos trabalhar, vamos trabalhar”; depois, a Macha grita “precisamos viver, precisamos viver” e, no fim, Olga: “se nós soubéssemos, se nós soubéssemos…”

Irina, a mais nova, escrita por Luísa Monteiro, é a adolescente branca à procura do vermelho, a querer usar o corpo a favor da utopia do mundo. Que descobre na viagem para dentro um útero-refúgio-casa. É uma IRINA do início do século XX, uma burguesa fascinada pelo trabalho do operariado, que quer “partir brita no inverno”. 

“Onde não estamos é que estamos bem.”

Tchekhov

 

 

 

Macha ainda é dos sonhos. Escrita por Valério Romão, vem com a primavera e traz luto pela vida, entre palavras soltas que, aparentemente, ninguém sabe ouvir, embora todos oiçam. Às línguas que fala, roubou a inutilidade de pensar só, só para não mudar a vida. A irmã-do-meio, entre ser e não ser como a gente que lhe entra vida-fora, fez-se na igreja que é teatro, templo de solidão religiosamente partilhado com “outros”.

“Que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro.” 

Montaigne

 

 

 

Olga, a professora primária, a irmã mais velha, a que veste azul. Olga, escrita por Rui Pina Coelho, segue a vida que lhe ensinaram no Colégio em que agora dá aulas, espartilhando ambições entre palavras, sufocando pelo tédio de que a vida passe sem nunca a poder agarrar. O pensamento de Olga sabe ser silêncio e riso. É sábio e cínico. Olga, a Santa, sacrificando os dias em orfandade em prol do futuro belo que virá. Tripalium! Nem Irina chegou a ir para a fábrica, nem Macha se desfez do teatro. Mas Olga, fechada no Colégio, de cansaço em cansaço, acabou por viver o infinito. 

Se ela soubesse...

“O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.”

Fernando Pessoa

As Três irmãs tentaram sair de casa.

Ir até à estação.

Esperar o comboio.

 

 

Talvez tenham perdido o comboio.

Talvez não tenha havido comboio.

 

 

Talvez não tenham saído. 

Não saíram.

 

A estação foi desativada.

 

Não sabiam onde era Moscovo.

Talvez não haja Moscovo.

 

As Três irmãs fecharam as janelas.

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