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O festival A SALTO — TOMADA ARTÍSTICA DA CIDADE DE ELVAS encontra este ano o seu término. Por isso queremos convidar-vos a sentir connosco este súbito SOBRESSALTO, numa jornada poética e emotiva através do território que ao longo destes anos tem sido o nosso. O percurso (16h30-23h) será contínuo e incluirá momentos de refeição. Em alternativa, os diversos pontos do percurso poderão ser fruidos isoladamente seguindo a localização e horários indicados na programação.

 

contactos:  
916820573 / 935039151

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SOBRESSALTO,
OU O QUE RESTOU
DE UM FESTIVAL


Ainda que queiramos celebrar, precisamos de o fazer com a honestidade de quem conta uma história enviesada. O A Salto morreu, viva o A Salto! Foram meia dúzia de anos movidos pela utopia de um mundo melhor, através e com as artes contemporâneas: celebrando a diversidade e a fragilidade do amor. Fintámos o interior, oferecendo os nossos corações - era a única forma de não estarmos sós. Durante estes seis anos, recebemos mais de 300 artistas, com quem nos sentámos à mesma mesa, sob a batuta-de-pau da Vitorica. Corremos a cidade e, como se cada projeto fosse uma árvore, não nos cansámos de plantar. Por toda a parte da cidade e nos corações dos elvenses, plantámos árvores. Vindas de Cabo Verde, dos EUA, de Israel, do México, da Polónia, do Japão, de Espanha, de França, do Brasil, de Portugal. Plantámos tantas árvores, porque as árvores dão sombra, porque dão alimento, porque dão lenha. Importa pouco se seremos nós aqueles que colhem os frutos ou admiram as flores. A vida sobrevive-nos sempre. Sobressalto é o susto de vermos interrompida uma vida que julgámos jovem - queríamos cuidar mais de ti, ó Elvas, ó Elvas. Mas só sabemos trabalhar em equipa - numa equipa alargada, que abraça a diversidade de outros para encontrar um ritmo comum. Estamos, agora, a contratempo da cidade: “O que fazer perante a instalação da desordem universal?” (perguntamo-nos, escutando o verso de Vera Duarte). Sem ousar a resposta, dançamos. Talvez este programa de um dia apenas, mais pequeno do que o A Salto, mas igualmente forte, ancorado também no amor e na vontade profunda de desenvolver projetos que contrariem a gentrificação cultural e que ressignifiquem, de facto, o território e os artistas, seja outra forma de colocar a questão. Começamos por aí: desenhar um círculo perfeito e velar, como quem conversa de peito aberto, procurando a razão no intervalo das dúvidas: o que pode um Festival? Só após a purga podemos encarar os projetos que nos continuam e que acompanhamos ao longo das residências, todos eles a braços com intimidades expostas que nos arrancam além-mar das nossas tristezas agri-doces. À Batata, à Rita, à Rosy, sobretudo, agradecemos a coragem de se juntarem a nós para prestigiar o fim do A Salto. A cidade de Elvas terá, eventualmente, sido tomada.

Equipa | Curadoria e Direção de Produção: Cátia Terrinca e João P. Nunes | Produção Executiva: Cátia Terrinca | Apoio à produção: Cutte, Herlandson Duarte e Rui Salabarda | Comunicação: Márcia Conceição | Coordenação Técnica: João P. Nunes | Apoio técnico: Sandro Caracol, José Rego, Herlandson Duarte | Frente de Casa: Tiago Candeias | Design: Jennifer Monteiro / Ça C’Jenn | Cozinheira: Vitorica Mendes | Registo Fotográfico: Susana Chicó | Registo Vídeo: João Filipe

Parceiros | Direção Geral das Artes | Direção Regional de Cultura do Alentejo | Município de Elvas | Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Salto Ildefonso | Junta de Freguesia de São Brás e São Lourenço | Junta de Freguesia de Terrugem e Vila Boim | O Espaço do Tempo | Colecção B | Luzeiro | SIR - Sociedade de Instrução e Recreio | Banda 14 de Janeiro | Arkus - Associação Juvenil | Rádio Elvas | Cool Guest House Hostel | Elvas The Queen | Nascimento & Filhos

 

Agradecimentos | Cíntia Romba, Laura Painho, Fátima Painho, António Lebre, Paula Lebre, Toni Vidigal, Domingos Borba