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Sobre o Festival

"nunca abdicar da ideia de que uma programação pode conciliar a crítica e a reflexão com a festividade

e que o prazer da descoberta e da inteligência é tão gratificante quanto o das sensações"

António Pinto Ribeiro

A Salto - Tomada Artística da Cidade de Elvas é um festival gratuito, no qual se encontram artistas e coletivos cujos projetos multidisciplinares criam uma cartografia efémera da cidade de Elvas, despertando a atenção de moradores, transeuntes e turistas para a vontade de ler, reler e discutir paisagens, através da arte. Os objetos artísticos, seguindo o mote do festival, habitam uma zona transfronteiriça de questionamento de géneros, que motiva não só as apresentações dos objetos, mas também conversas e oficinas - contributos maiores para uma cidadania emancipada, num festival assente na economia de afetos, em que a comunidade elvense é promotora e beneficiária.

Privilegia-se a programação de artistas cujo pensamento esteja em ebulição e emirja no confronto entre disciplinas e práticas artísticas divergentes, encontrando projetos que possam envolver diretamente a comunidade, nos seus diferentes públicos-alvo e que se estabeleçam nesta cidade fronteiriça por períodos de residência significativos. Acredita-se na possibilidade construtiva e modificante do Festival no seu contexto, pelo que se associa à programação boas práticas a nível do desenvolvimento ecológico sustentável e da acessibilidade e desenvolvimento de públicos.

 

Na edição deste ano, a segunda, a programação procura deambular filosófica e artísticamente sobre a modernidade líquida (Z. Baumann) e os seus antídotos, expondo a cidade e a sociedade a contra-ritmos e a novos estímulos.

A SALTO é um festival participativo de artes contemporâneas, defensor da cidade de Elvas como laboratório livre de experimentação e criação artísticas e da comunidade elvense como cocriadora do Festival e de parte dos projetos programados. É, sobretudo, com base nas obras que se debruçam sobre os elvenses que se define esta cartografia efémera da cidade, que durante 48h quase ininterruptas é subvertida,

revitaliza espaços devolutos e/ou subaproveitados e expõe o seu património imaterial.

Em 2018, o foco da programação é desafiar o estado líquido das relações e abrir espaços no tempo para olhar sociedade adentro, chegando a cada um dos 'outros que era eu'. Talvez seja um festival romântico, que procura apaixonar cada artista por cidadãs e cidadãos esquecidos pelo país, num alentejo que muitos julgam perdido.

Se, por um lado, o A SALTO procura a estreia de projetos participativos, sendo este o eixo programático basilar do Festival, também valoriza a reposição de espetáculos ou objetos já estreados, que possam ser relidos à luz de uma nova paisagem, para que a cidade e os seus espaços desafiem as dramaturgias inaugurais. No que diz respeito ao impacto junto da população, estas duas linhas programáticas estão acompanhadas pela procura de um projeto pedagógico associado à programação, cuja parte informal implica que os artistas sejam acolhidos por famílias elvenses, esperando que a criação de laços afetivos possibilite conversas informais em que a criação artística surja espontaneamente como tema; a parte formal resulta num conjunto de oficinas, das quais a maioria é para crianças, jovens e pais & filhos, que durante Agosto apresentam o Festival à comunidade.